Tecnológia: IA Traduz Pergaminho Antigo de Mais de 2 Milênios

documento romano

IA Decifra Pergaminho Histórico de Pompéia

Em um avanço espetacular no campo da arqueologia, um pergaminho antigo de 2.000 anos, preservado pela catástrofe vulcânica de Pompéia, teve seu conteúdo revelado graças à inteligência artificial (IA). Um grupo de pesquisadores estudantis emergiu como protagonistas nesse cenário ao utilizar algoritmos de aprendizado de máquina para interpretar o texto grego oculto em um papiro carbonizado, soterrado durante a erupção do Monte Vesúvio.

O Desafio do Vesúvio: Uma Conquista Inédita

Participando de uma competição inovadora, conhecida como o Desafio do Vesúvio, esses pesquisadores aplicaram suas habilidades em algoritmos de IA sobre digitalizações do documento enrolado, desvendando assim um tratado filosófico previamente desconhecido que explora temas de sensações e prazer. Esse marco não apenas destaca a capacidade da IA em decifrar textos antigos, mas também pavimenta o caminho para futuras investigações que poderão desvendar completamente outros pergaminhos similares, oferecendo novas perspectivas sobre a civilização antiga.

Este trabalho pioneiro sugere um futuro promissor para a aplicação de tecnologias de IA na arqueologia, com potenciais descobertas que podem alterar profundamente nosso entendimento sobre o passado histórico e cultural da humanidade.

Revolução nos Estudos Antigos: A IA Ilumina o Passado

O Impacto Cultural do Desvendamento

A recente decifração de um pergaminho romano antigo, realizada por meio da inteligência artificial, provocou uma verdadeira reviravolta no campo tradicionalmente conservador dos estudos antigos. Kenneth Lapatin, curador de antiguidades no Museu J. Paul Getty em Los Angeles, não envolvido diretamente no projeto, expressou sua admiração pelo feito, considerando-o um sonho realizado. O conteúdo do pergaminho, abordando temas como a apreciação pela música, o sabor das alcaparras e a beleza da cor roxa, foi celebrado como um marco histórico por especialistas e entusiastas da área.

Reconhecimento e Prêmio: Uma Conquista Internacional

O classicista Bob Fowler, da Universidade de Bristol, e jurado do concurso, ressaltou a importância da descoberta, que foi possibilitada pela colaboração de três estudantes provenientes do Egito, da Suíça e dos Estados Unidos. Esses jovens pesquisadores foram recompensados por seu trabalho inovador com um prêmio substancial de 700 mil dólares, marcando um precedente notável na valorização de estudos antigos e na integração de novas tecnologias nesse campo.

O Legado dos Pergaminhos de Herculano

O documento em questão faz parte de uma coleção de centenas de papiros descobertos no século XVIII, em uma opulenta villa romana em Herculano, Itália. Conhecidos como os pergaminhos de Herculano, esses artefatos representam a única biblioteca do mundo antigo que chegou até nós, embora sua fragilidade impeça a abertura física para estudos convencionais.

Avanços Tecnológicos Confirmam o Potencial da IA

A inscrição vencedora do concurso, revelada em 5 de fevereiro, expôs centenas de palavras distribuídas em mais de 15 colunas de texto, o que representa cerca de 5% do conteúdo total de um pergaminho. Brent Seales, cientista da computação da Universidade de Kentucky e cofundador do prêmio, destacou o sucesso da iniciativa como uma prova irrefutável do valor da tecnologia de IA na arqueologia, dissipando quaisquer dúvidas sobre sua eficácia e abrindo novas fronteiras para a exploração do passado.

Uma Odisseia de Duas Décadas: Desvendando os Pergaminhos de Herculano

Desafios Históricos e Estragos do Passado

Ao longo dos séculos seguintes à sua descoberta, os pergaminhos de Herculano enfrentaram várias tentativas de serem abertos, o que resultou em danos significativos, com alguns sendo irreparavelmente destruídos e outros deixados em fragmentos. Papirologistas ao redor do mundo têm se dedicado a decifrar e recompor esses textos extremamente fragmentados. Contudo, aproximadamente 280 pergaminhos, considerados casos praticamente perdidos, foram preservados intactos, guardados a salvo na Biblioteca Nacional de Nápoles e em instituições de Paris, Londres e Oxford.

A Jornada de Brent Seales e a Inovação Tecnológica

Brent Seales, perseguindo o sonho de revelar os segredos contidos nesses textos ocultos, dedicou quase duas décadas de sua carreira ao desenvolvimento de tecnologias capazes de “desembrulhar virtualmente” os papiros sem necessidade de abri-los fisicamente. Sua equipe empregou técnicas avançadas de tomografia computadorizada tridimensional, enfrentando o desafio de distinguir a tinta à base de carbono do próprio papiro, uma vez que ambos compartilham densidades similares nas imagens de TC, complicando a interpretação dos textos.

O Nascimento do Desafio Vesúvio

Inspirado pelo trabalho de Seales, Nat Friedman, um empresário do Vale do Silício, propôs expandir a pesquisa envolvendo a comunidade científica global através de um concurso. Com uma doação inicial de 125 mil dólares de Friedman e fundos adicionais levantados via Twitter, o Desafio Vesúvio foi lançado em março de 2023, com o objetivo ambicioso de decifrar quatro trechos de texto, incentivando a colaboração e competição saudável entre os participantes.

Cooperação como Chave para o Sucesso

A estratégia inovadora do concurso residia em sua combinação de competição e cooperação. Ao longo do desafio, prêmios menores foram distribuídos para estimular o progresso contínuo, e os avanços significativos, especialmente em termos de desenvolvimento de algoritmos de aprendizado de máquina, foram compartilhados com a comunidade. Esse ambiente colaborativo permitiu que os competidores construíssem uns sobre os avanços dos outros, elevando o nível coletivo de expertise e aproximando-os da decifração bem-sucedida dos textos antigos.

A Descoberta do Cor Púrpura: Inovação no Desafio Vesúvio

Avanço Crucial na Decifração de Textos Antigos

Em um momento marcante para o Desafio Vesúvio, uma inovação significativa ocorreu no ano passado quando Casey Handmer, empresário e ex-físico dos EUA, identificou uma peculiaridade nas imagens dos pergaminhos: uma textura fina, assemelhando-se a lama rachada, apelidada de “crackle”. Esta característica revelou-se a forma de letras gregas, conduzindo a um avanço na interpretação dos textos.

Tecnologia de Ponta e Colaboração Internacional

Utilizando essa descoberta, Luke Farritor, um estudante de ciências da computação da Universidade de Nebraska-Lincoln, desenvolveu um algoritmo de aprendizado de máquina que conseguiu identificar a palavra grega “porphyras”, que significa ‘roxo’. Este feito rendeu a Farritor o prêmio por revelar as primeiras letras reconhecíveis do texto no final de outubro. Youssef Nader, um doutorando egípcio em Berlim, seguiu o sucesso com imagens ainda mais claras, conquistando o segundo lugar.

A Corrida Contra o Tempo e o Triunfo Final

À medida que o prazo final de 31 de dezembro se aproximava, a tensão aumentava entre os organizadores e participantes do desafio. Com menos de três meses restantes, o código de Nader foi compartilhado, incentivando outros competidores a aprimorar suas técnicas de leitura. Na última semana do concurso, 18 inscrições foram recebidas. Após uma rigorosa avaliação técnica e a análise de um comitê de papirologistas, a colaboração entre Farritor, Nader e Julian Schilliger, um estudante suíço de robótica do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique, emergiu como a única a satisfazer completamente os critérios para o prêmio principal.

Impacto e Implicações dos Resultados

Os resultados finais foram descritos como “incríveis” pela juíza Federica Nicolardi, papirologista da Universidade de Nápoles Federico II, destacando a impressionante clareza das imagens obtidas pela equipe vencedora. Agora, papirologistas de todo o mundo se dedicam a analisar o texto revelado, antecipando descobertas que podem iluminar ainda mais nosso entendimento da história antiga e da cultura.

Entre Música, Prazer e Alcaparras: A Filosofia de um Pergaminho Revelado

O Legado Epicurista em Herculano

A análise dos pergaminhos de Herculano já desvendados aponta majoritariamente para a escola epicurista de filosofia, sugerindo que compunham a biblioteca de um devoto de Epicuro, o filósofo ateniense que viveu entre 341 e 270 a.C., identificado possivelmente como Filodemo. O texto recentemente decifrado, embora não especifique seu autor, é considerado por especialistas como sendo também de Filodemo, dada a sua temática que abrange desde o prazer sensorial proporcionado pela música e sabores até reflexões sobre a vida boa, típicas do pensamento epicurista.

A Música que Inspira Guerreiros

Uma figura destacada no texto é Xenofanto, um flautista cuja habilidade, mencionada por autores clássicos como Sêneca e Plutarco, teria inspirado até mesmo Alexandre, o Grande, a ir à batalha. Este detalhe não apenas enriquece nosso entendimento sobre a influência da música na antiguidade, mas também serve de ponte para discussões filosóficas atemporais sobre a busca humana por significado e felicidade.

A Relevância Contínua da Filosofia Antiga

Kenneth Lapatin enfatiza que as questões levantadas por Epicuro e Filodemo permanecem pertinentes nos dias de hoje, refletindo sobre a essência da existência humana e a busca pela felicidade. A descoberta do pergaminho é vista não apenas como uma janela para o passado, mas como um precursor para o resgate de outros textos que se acreditava perdidos, abrindo novas possibilidades de pesquisa e compreensão histórica.

Ampliando o Horizonte dos Estudos Antigos

Além da filosofia de Epicuro, existe a expectativa de que mais obras da antiguidade, talvez até de Aristóteles, possam ser encontradas entre os pergaminhos, conforme expresso pelo papirologista Richard Janko. Os textos latinos já revelados apontam para uma diversidade de temas que vai além da filosofia, incluindo poesia e literatura, aumentando a antecipação por futuras descobertas que podem enriquecer ainda mais nosso conhecimento sobre o mundo clássico.

Perspectivas Futuras: Novas Escavações e Técnicas Avançadas

A descoberta encoraja o debate sobre a necessidade de novas escavações em Herculano, onde se suspeita que a biblioteca principal e possivelmente milhares de outros pergaminhos ainda estejam enterrados. As inovadoras técnicas de aprendizado de máquina, aplicadas com sucesso no Desafio Vesúvio, agora prometem abrir novos caminhos para o estudo de textos ocultos em outras áreas, como papiros usados em cartonagem de múmias egípcias.

O Futuro do Desafio Vesúvio

Com a visão de decifrar uma obra completa, um novo conjunto de prêmios para o Desafio Vesúvio foi anunciado para 2024, com o ambicioso objetivo de ler 85% de um pergaminho até o final do ano. O progresso até o momento é celebrado como um feito quase milagroso, marcando um momento de otimismo e expectativa para os estudos antigos e a preservação do patrimônio cultural.

Conclusão:

A descoberta de um texto filosófico em um pergaminho de Herculano, decifrado pela inteligência artificial, representa um marco histórico nos estudos antigos, iluminando a rica tapeçaria da filosofia epicurista e sua relevância perene. Este feito, fruto da colaboração internacional e da inovação tecnológica, não apenas revigora o campo da arqueologia com novas possibilidades de pesquisa, mas também abre caminho para futuras explorações em Herculano e além. À medida que nos preparamos para novas descobertas, a jornada até aqui reafirma a intersecção entre tecnologia e humanidades como um poderoso vetor para desvendar os mistérios do passado.

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